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DO MUNDO FELINO CARIOCA
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CÃES E GATOS PODEM NO RIO À VONTADE LATIR
E MIAR
A
Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou nesta
quarta-feira um projeto de lei que proíbe a realização
de cirurgias que impeçam cães de latir e gatos
de miar, segundo Folha Online.
O texto é de autoria da deputada Cidinha Campos (PDT)
e agora segue para aprovação do governador Sérgio
Cabral (PMDB).
A punição, caso o projeto seja aprovado e vire
lei, é de multa e perda da licença de funcionamento
para a clínica que realizar a operação.
Contudo, há uma emenda que permite esse tipo de cirurgia
apenas quando trouxer benefícios aos animais, como em
caso de câncer nas cordas vocais ou alguma inflamação.
O objetivo é evitar que esse procedimento seja realizado
para evitar que os animais façam barulho, uma vez que
a cirurgia causa sofrimento aos animais.
A deputada defendeu o projeto afirmando que estudos mostraram
que a limitação do meio de expressão do
animal influencia de forma negativa seu comportamento, podendo
levá-lo, inclusive, a atitudes ferozes ou violentas.
http://port.pravda.ru/news/sociedade/curiosas/07-05-2007/16935-miar-0
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BÍPEDES,
QUADRÚPEDES E ALGUMAS HISTÓRIAS
No
final do ano passado, o repórter Luiz Ernesto Magalhães
descobriu uma espécie de maiaduto animal entre as secretarias
municipais do Meio Ambiente e de Promoção e
Defesa dos Animais. Por ter fornecido duas jacutingas para
o Rio Zôo, o secretário Victor Fasano credenciou-se
a receber, a título de “colaboração
científica”, R$ 260 mil dos contribuintes, muitos
dos quais, suponho, não teriam a menor dificuldade
em listar dezenas de dotações mais urgentes
para essa dinheirama. Até eu, que amo animais e considero
que vidas não têm preço, acho meio caro
R$ 260 mil por duas jacutingas.
Reconheço, contudo, que, não estando acostumada
ao comércio de aves exóticas como está
o secretário, não tenho a sua capacidade para
avaliar representantes desta espécie de Cracidae. Vai
ver, R$ 130 mil por uma jacutinga é uma baita pechincha
— e a gente aqui chiando diante do grande negócio
feito pelo Rio Zôo. Vai ver, também, o secretário
investiu mesmo todo o dinheiro que recebeu no seu criadouro
de aves, e não na mansão que lá vem sendo
construída. Imaginem se um secretário do quilate
do senhor Fasano, escolhido a dedo pelo alcaide, vai usar
dinheiro público em proveito próprio! Impensável.
Vocês vão ver: com os R$ 780 mil que receberá
até abril, vamos ter no zoológico jacutinga
saindo pelo ladrão ( oops , escapou-se-me).
Acontece que nem todo mundo acredita na boa-fé do secretário.
Em dezembro passado, quando O GLOBO publicou a série
sobre o maiaduto, andaram até falando numa CPI para
investigar a origem e o uso do R$ 1,04 milhão dados
ao senhor Fasano para a melhor prestação de
seus relevantes serviços avícolas. Felizmente,
o secretário não precisa temer tal indignidade.
Numa cidade que ainda nem sabe se vai ter Câmara de
Vereadores funcionando, imaginem se alguém vai se lembrar
de levar uma bobagem dessas adiante.
Além disso, o prefeito Cesar Maia está contentíssimo
com o desempenho do seu favorito. Tendo feito há tempos
sua escolha preferencial pelos ratos, e ansioso para apresentar
aos visitantes do Pan um Rio livre de bípedes e quadrúpedes
indesejáveis, ele encontrou no senhor Fasano o aliado
ideal. Por isso, noutro dia, aumentou a sua área de
atuação: agora, a Secretaria de Promoção
e Defesa dos Animais é responsável também
pelo CCZ, o Centro de Controle de Zoonoses, mais conhecido
como carrocinha. O prefeito, como todo mundo sabe, é
um homem prático. Com uma canetada só matam-se
milhares de cães e gatos abandonados.
Porém, enquanto o senhor Victor Fasano consola-se das
críticas à sua pífia atuação
na novela ouvindo o canto das jacutingas e o tilintar das
moedas, a vida dos animais abandonados do Rio vai de mal a
pior. Os poucos serviços que existiam em seu benefício
foram extintos ou estão à beira da extinção,
como o convênio para castração feito com
a Estácio de Sá; veterinários, ração
para bichos de áreas carentes, campanhas educativas,
nada disso existe mais. A Sepda, criada para defender os animais
abandonados, aliou-se aos piores inimigos dessas pobres criaturinhas.
No Jockey Clube, zona número um de extermínio
de gatos do Rio, onde impera a conivência com a Sepda,
os funcionários e protetores acabam de ser terminantemente
proibidos de alimentar os gatos, e a água que algumas
almas piedosas lhes trazem às escondidas é jogada
fora. A exceção é o famigerado gatil
(considerado um “modelo” pelo senhor Fasano),
onde os gatos recebem comida mas morrem de doenças
e de descaso. Ou seja: gato no Jockey está condenado
a morrer de inanição ou por negligência,
como tantos e tantos já morreram.
Em breve não haverá um único gato no
elegante clube, para gáudio do diretor Elazar David
Levy. E os ratos terão plena liberdade de ação.
Para sorte dos bichos abandonados, nem todo mundo é
Victor, Cesar ou Elazar: há na cidade muitas pessoas
de bom coração. Neste momento, um pequeno grupo
tenta, desesperadamente, encontrar bons lares para cerca de
uma dúzia de gatos, todos lindos e bem tratados, que
pertenciam a um rapaz que faleceu. A família, que nunca
o visitou no hospital e sequer pagou o enterro, providenciado
graças a uma vaquinha entre os amigos, expulsou os
quadrúpedes assim que tomou posse do imóvel
em que viviam.
Os gatos estão em abrigos temporários, tristes
e angustiados com a reviravolta em suas vidinhas. São
carinhosos e meigos, e serão ótimos companheiros
para quem os adotar. Sua história, suas fotos e os
telefones para contato com as pessoas extraordinárias
que estão cuidando deles podem ser encontrados em www.adoteumgatinho.blogspot.com
(
Cora Rónai, em InternEtc, 09/02/06 )
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NEM TUDO ESTÁ PERDIDO
Rosana
Monteiro é uma jovem veterinária de Campo Grande,
nascida e criada em Santa Cruz, onde até hoje residem
seus pais, e onde, com a ajuda do marido, George, e do amigo
Artur, alugou uma casinha modesta mas acolhedora. Junto com
George, consertou o que precisava ser consertado, conseguindo
material de construção e tintas em promoção
e descobrindo a mágica de criar novas cores usando
pó Xadrez. Percorreu brechós e, com o restinho
das economias, comprou dez carteiras escolares. A organização
Viva Mais Feliz estava pronta para funcionar.
"Nosso bairro, Santa Cruz, o último do Município
do Rio de janeiro, também é o último
na lembrança dos nossos governantes", escreveu
em seu blog. "Aqui se encontram o CCZ e os maiores conjuntos
habitacionais (o que nos faz pensar que aquilo que incomoda
deve-se manter distante), gente humilde e gente do bem. Aqui
não se encontram cinemas, teatros, eventos culturais,
de cidadania ou de meio ambiente -— apenas em época
de eleições, já que aqui está
o maior curral eleitoral do estado. Quanto ao IDH, Santa Cruz
ocupa a 119 posição, em uma lista que vai do
1 ao 126."
Hoje, as dez carteiras de brechó recebem alunos especiais:
adultos e jovens com dificuldades de aprendizado, que não
sabem ler nem escrever, e a quem Rosana aos poucos ensina
não só as letras, mas a cidadania e o amor às
pessoas e aos animais. Seus auxiliares de trabalho são
a gata Basted, os cães Nina, Carmessita e Bijoux, e
a galinha Xirley — todos salvos do CCZ, o Centro de
Controle de Zoonoses, ponto final da famigerada carrocinha
e da vida de tantos bichos. O seu papel é descontrair
o ambiente, interagir com os humanos, dar e receber carinho.
No blog, sob uma foto da salinha de aula, Rosana escreveu:
"Aqui já existe uma turma de alfabetização
em evolução. Pessoas do bem que tiveram suas
vontades reprimidas, ou porque foram à luta cedo demais,
ou porque são pessoas especiais, ou porque ficaram
órfãs. Enfim, todos os motivos justificam o
nosso desejo em realizar seus maiores sonhos: aprender a ler
e conquistar respeito. Aqui não existe vergonha, existe
coragem. Aqui todos compreendem o quanto são importantes.
Encaram o preconceito como forma de teste. Sabem que ignorantes
são aqueles que os desprezam."
— As pessoas acham que sou maluca — me confidenciou
Rosana. — Perguntam por que não abro um consultório
e vou ganhar dinheiro, ou por que gasto meu tempo ensinando
a adultos, quando é tão mais fácil ensinar
a crianças. Mas você não imagina a ânsia
de aprender que eles têm, como se sentem vitoriosos
a cada letra aprendida, a cada sílaba decifrada! Você
não imagina como é humilhante para eles carimbarem
o dedo em vez de assinar o nome num papel. As dificuldades
são enormes, mas não há recompensa maior
do que ver as sementes do trabalho germinando. O dia em que
o Sebastião apareceu com a carteira de trabalho assinada
foi um dos dias mais felizes da minha vida.
Este dia está, naturalmente, anotado no blog:
"Sebastião, um dos alunos da turminha de alfabetização,
estava desempregado... mas não está mais. Todas
as portas se fechavam, porque nem seu nome sabia escrever.
Mas Sebastião não perdeu as esperanças
e nós sempre acreditamos em seu potencial. Aprendeu
a assinar seu nome em poucos dias, ainda não sabe ler,
mas já vê uma pontinha de luz, a que lhe devolveu
a dignidade.
-- Hoje eu assinei uma ficha no emprego!
Sebastião conseguiu.
-- E assinei no banco também!
Ao perguntar como havia se sentido, ele respondeu:
-- Me senti gente.
Todos aplaudiram."
O trabalho de Rosana não fica restrito às quatro
paredes da sala de aula. Ela atua junto à comunidade,
pregando a posse responsável de animais, vacinando
e castrando cães e gatos, conversando um pouco aqui,
dando um conselho ali. Às vezes, descobre gente como
dona Sirleidi:
"Catadora de papelão, aceita qualquer coisa que
possa ser vendida no ferro-velho. Uma senhora mais forte do
que o peso que carrega, empurrando seu carrinho por quilômetros,
todos os dias. O que dona Sirleidi espera? Poder alimentar
mais de 50 cães de rua que encontra pelo caminho. Alguns
a acompanham por todo o percurso.
-- O que tenho todos os dias é demais pra mim, eles
é que precisam comer.
Dona Sirleidi não conhece o conforto, não espera
mais do que o simples fato de conseguir, diariamente, doações
de sucata.
— Tem papelão hoje? Porta velha, telha, garrafa
plástica, vergalhão?
A justificativa que já usamos muitas vezes, 'Não
faço porque não tenho' ou 'Quando tiver, farei',
me faz sentir vergonha neste momento, ao conhecer dona Sirleidi.
-— Se eu não aparecer, eles morrem de fome."
Pois é. Eu achei que, nesta semana de Natal, depois
de passar o ano lendo a respeito de tanta gente safada e mal-intencionada,
vocês gostariam de saber que também existem pessoas
como a Rosana e a dona Sirleidi nesta nossa Mui Leal e Heróica.
Se quiserem ajudá-las, basta escrever para rosanavmonteiro@yahoo.com.br.
E não deixem de visitar o blog, para uma dose e tanto
de esperança na humanidade.
(
Cora Rónai, em InternEtc, 23/12/05 ) |
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ALERTAS
CUIDADO
COM FAKES
*
Algumas pessoas doentias descobriram que é muito fácil
criar personalidades falsas na internet, e com isso disfarçar
sua verdadeira identidade na hora de adotar. Parece história
de ficção, ou de horror, mas infelizmente é
a pura realidade.
NUNCA
deixem de checar a veracidade das afirmações de
um adotante. Se necessário, peçam ajuda de protetores
que estão habituados a lidar com o mundo virtual, e vasculhe
a internet em busca de mais informações. Não
se sintam inibidos de fazer uma visita prévia para ver
se a pessoa realmente é quem diz ser, como é o lugar
onde mora, se a pessoa tem equilíbrio emocional e condições
financeiras de manter um animal, se os animais já existentes
parecem bem cuidados, se há telas nas janelas, etc.
AO
DOAR GATOS PRETOS
* Nem todo mundo sabe, mas eles são muito procurados por
"macumbeiros" para fazer trabalhos e despachos, e participar
de rituais macabros. Todo cuidado é pouco na doação
de gatos pretos. Os adotantes devem passar por uma seleção
rigorosa. E não pense que a classe social é um diferencial,
pois pessoas de todas as camadas da sociedade podem procurar gatos
para esse fim. Evite doar gatos pretos machos sem castrar, pois
são o alvo preferido, para rituais de fertilidade.
CUIDADO
TAMBÉM COM OS BRANQUINHOS
*
Eles são usados por rinheiros para treinar pitbulls, pela
semelhança com coelhos. Vários protetores cariocas
já foram contatados por pessoas que queriam gatos brancos,
todas da mesma região ( Penha e adjacências ), onde
se sabia existir uma rinha.
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