| ABRIGOS
NÃO SÃO LARES
Como
coordenadora de uma escola de horário integral, uma das queixas
mais recorrentes que recebemos das professoras é de que os
pais parecem haver esquecido do verdadeiro papel da escola, considerando-a
tão somente um depósito de crianças.
Da mesma forma, para a maioria da população brasileira,
um abrigo significa tão somente um depósito de animais,
um local de despejo, um lugar onde se vai para abandonar os animais
que não são mais "úteis" ou "necessários",
ou dos quais simplesmente se desinteressaram. Os animais são
tratados como mero objetos de consumo, bens descartáveis,
bugigangas das quais nos livramos quando começam a tornar-se
incômodas, ou a nos entediar.
O que essas pessoas parecem ter se esquecido é de que os
abrigos estão superlotados, não há ajuda por
parte de nenhum órgão governamental, não há
voluntários nem funcionários suficientes, não
há, na grande maioria das vezes, recursos financeiros para
sustentar tantos animais abandonados. Nem há tampouco espaço.
Há também, naturalmente, os que foram vítimas
de crueldades, atropelamentos e toda sorte de maus tratos. Esses
além do abandono têm que lidar com a dor, com a doença,
com o choque pela violência vinda de seres que supostamente
deveriam amá-los.
ABRIGOS
"OFICIAIS"
Qualquer
visita que se faça a um abrigo é deprimente, não
por causa das condições físicas ou por causa
da falta de cuidados, embora às vezes isso exista, até
pela dificuldade de conseguir dar conta de tanto trabalho. O que
mais deprime e choca é o desamparo, a melancolia, a carência,
a tristeza dos animais. E isso não é culpa de funcionários
e voluntários... Que estão ali fazendo o seu melhor.
É culpa única e exclusivamente da irresponsabilidade
e falta de amor e discernimento de seus donos, que os largaram nas
ruas, ou nos próprios abrigos, abandonando em total estado
de carência afetiva. Os animais têm sentimentos, embora
grande parte das pessoas não se dê conta disso.
O animal abandonado em um abrigo, por mais bem cuidado que esteja,
jamais se sentirá tão feliz como o animal que tem
um dono só para ele, que o ame e compreenda, que o alimente
e brinque com ele, que converse e faça dele um verdadeiro
amigo... Uma boa parte dos animais abandonados abrigados morre em
decorrência da tristeza, da apatia, da falta de carinho, da
saudade...
ABRIGOS
DOMÉSTICOS
Movidas
pelo impulso do momento ou simplesmente pela dó de ver um
animal desamparado pelas ruas, muitas pessoas superlotam suas casas
com mais cães e gatos do que o local comportaria. Até
que ponto essa é uma alternativa válida ? Acredito
que, enquanto houverem meios de cuidar dos animais de forma adequada,
sem obrigá-los a enfrentar condições de vida
às vezes tão adversas quanto as das ruas, os abrigos
domésticos serão um paliativo viável para minimizar
o sofrimento dos animais abandonados.
É preciso, no entanto, que as pessoas lembrem de seus limites.
É preciso que saibam reconhecer as dificuldades impostas
pela falta de recursos, ou as limitações territoriais.
É preciso saber distinguir a tênue linha que separa
uma condição razoável de vida de uma existência
ainda mais sofrida.
É preciso, acima de tudo, lembrar-se que qualquer abrigo
deve ser encarado apenas como um local de passagem, um estágio
preparatório para a adoção.
Se a pessoa em questão já possui animais, o que é
quase uma regra geral, é necessário criar uma área
de isolamento, onde os animais abrigados possam ficam em separado,
longe dos da casa, para evitar a transmissão de doenças
e a contaminação dos animais saudáveis.
LARES
TEMPORÁRIOS
Lar
temporário é a denominação dada ao lar
que abriga alguns animais ( geralmente poucos de cada vez ) de forma
transitória, a fim de tratá-los e posteriormente encaminhá-los
para adoção.
É a melhor forma de acolher os animais tirados das ruas,
pois possibilita que sejam melhor tratados, uma vez que seu número
é reduzido.
TRABALHAR
EM UM ABRIGO
Trabalhar
em um abrigo, significa desempenhar uma quantidade enorme de tarefas,
muitas vezes sem receber nada em troca. Lavar, dar água e
alimento, dar banho, limpar as dependências, separar brigas,
cuidar dos filhotes, recolher as fezes e trocar jornais, verificar
o estado de saúde dos animais, tratar dos doentes... São
apenas algumas delas.
E são estas mesmas pessoas que trabalham e se esforçam
pra minimizar o sofrimento destes animais que são criticados,
escorraçados, acusados injustamente, recebem desaforos e
nenhum agradecimento por fazer o que fazem. Os únicos verdadeiramente
gratos são os animais, estes sim capazes de amar incondicionalmente,
coisa que pouquíssimos humanos conseguem fazer.
Além da falta de material humano, o que dificulta enormemente
o trabalho, e da superlotação, ainda há o fator
financeiro. Problemas financeiros são recorrentes e comuns
a todos os abrigos. Se sobrevive de doações e da boa
vontade de umas poucas pessoas. São toneladas de ração,
remédios, vacinas... Isso só contando o básico.
PASSAGEM
PARA UMA NOVA VIDA
Abrigos,
assim como escolas, foram feitos para servir de passagem. Passagem
para a vida, passaporte para uma nova realidade. Não para
ser um lar eterno, nem substituir papéis que deveriam ser
desempenhados pelos donos, que trouxeram um animal para suas vidas
sem pensar nas conseqüências.
Há que se ser responsável por seus atos; há
que se ter amor, que se refletir antes de adotar ou de deixar de
castrar um animal... Há que se ter sobretudo visão
e consciência de que os animais têm sentimentos, emoções,
espírito; não são tão somente objetos
sem discernimento.
Eles nos trazem carinho, alegria, companhia, apoio, compreensão
imediata, amor sem limites... É nossa obrigação
cuidar bem deles, é nosso dever ser amigo até o fim.
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ABRIGOS
NÃO SÃO LARES


Não jogue um animal em um abrigo. Abrigos não são
lares, e já estão superlotados, cheios de problemas
e sem amparo do governo ou da sociedade. Levando um animal para
um abrigo você não está fazendo a sua parte,
apenas empurrando o problema para outras pessoas. Cuide, ajude,
castre, vacine, alimente. Se você não tiver condições
de fazer isso sozinho, por falta de recursos financeiros, procure
saber se em sua cidade há instituições ou
órgãos públicos que realizem esses serviços
a preços reduzidos ou gratuitamente.
SEJA
PARTE DA SOLUÇÃO
Muitas
vezes, é preciso apenas um pouquinho de boa vontade para
salvar uma vida... Quando do seu tempo você gastou hoje
ajudando um animal abandonado ? Apenas um pouquinho do seu tempo...
E você estará ajudando a tirar das ruas e tratar
muitos animais. Nossa proposta é de mobilização.
A maioria das entidades e protetores sobrevivem única e
exclusivamente por seus próprios esforços. Não
há ajuda nem apoio por parte da sociedade ou do governo.
Nenhum patrocínio ou lucro. Apenas muito trabalho, um enorme
volume de responsabilidades e muita exaustão... Se cada
pessoa que verdadeiramente ama os animais puder doar um pouquinho
de si, do seu tempo, do seu esforço, da sua dedicação,
poderemos ajudar muitíssimo ! Saiba como você pode
ajudar mais.
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